Venda casada no mercado de casamentos

São tantos fornecedores e tantos contratos para assinar na organização do casamento, que a gente acaba prestando menos atenção do que deveria e deixando alguns cuidados e exigências de lado. Os contratos são a garantia que os noivos têm dos serviços que serão prestados no casamento, devem ser bem redigidos e conter tudo que as duas partes combinaram. Hoje é dia de mais um post da Lívia e o tema escolhido foi a venda casada no mercado de casamentos.

Muita gente já ouviu falar de venda casada, sabe por alto que é uma prática irregular, mas muitas vezes não consegue reconhecê-la no dia a dia para evitá-la.

A venda casada é uma prática comum de diversos fornecedores, não apenas no ramo dos casamentos, mas também no comércio em geral, redes de fast food, serviços de telefonia, internet, dentre outros. Essa irregularidade consiste na determinação, pelo vendedor, de que o consumidor só pode adquirir certo produto se levar também um segundo produto, que nem sempre é do interesse do comprador. Além disso, também ocorre quando, na negativa de adquirir esse segundo produto, o consumidor é obrigado a pagar uma taxa extra se quiser apenas aquele primeiro, ou se for limitado a comprar uma quantidade mínima do produto.

É evidente que tal prática é completamente abusiva e é vedada pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC) pelo artigo 39, I:

Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas:

I – condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos;

A venda casada é comum nos casamentos em diversas ocasiões. Em um primeiro momento, por exemplo, é comum que o local da festa ou Buffet entregue aos noivos uma espécie de manual, com várias sugestões de fornecedores. Porém, tais fornecedores pagam uma quantia (muitas vezes até bem alta) para estarem nessas sugestões. Assim, o valor do serviço deles pode ficar bem mais caro do que do resto do mercado. Ademais, ainda é exigido o pagamento de uma taxa pelos noivos caso eles não queiram contratar alguém da lista, o que é completamente abusivo! O consumidor deve ter total liberdade para contratar quem ele bem entender, e não pode estar preso a lista alguma.

Outros exemplos são a obrigação de, ao contratar um salão para a festa, ter o dever de contratar também o Buffet que está atrelado a ele; só conseguir o serviço de fotografia se comprar também o vídeo, ou então exigir um preço absurdo para as fotos caso os noivos não queiram o vídeo. Também temos situações em que é estipulada uma quantidade mínima para a contratação, como o número de bebidas, de convites, dentre outros. E não se enganem: a regra do CDC vale para TODOS os estabelecimentos, inclusive as Igrejas, e mesmo se ela apresentar essa “regra” como prevista em algum tipo de regulamento interno estará caracterizada a prática irregular.

Caso vocês, noivos, se deparem com uma dessas situações (lembrando que são apenas exemplos, e as situações de venda casada no mercado de casamento são inúmeras) apresente imediatamente o art. 39, I do Código de Defesa do Consumidor (todos os estabelecimentos devem conter um exemplar desse código, conforme definido em lei). Se ainda assim o fornecedor insistir na prática abusiva, denuncie imediatamente no PROCON do seu Estado! O PROCON está sempre ao lado do consumidor e poderá orientá-los devidamente.

 

Comente ♥