Minha Lua de Mel em Fernando de Noronha

Noronha sempre teve um significado especial pra mim e mesmo antes de conhecer já era o meu lugar preferido do mundo. Meu pai amava aquele lugar e, cada vez que ele voltava de lá, eu sonhava mais em ir. Lembro de combinar com o Paulinho (meu marido!) desde a época da escola, antes de começarmos a namorar, que iríamos juntos um dia mas, quando fui em 2010 com meu pai e minha irmã, ele infelizmente não pôde ir. Foi uma viagem linda com um significado enorme e a vontade de voltar lá com o amor da minha vida só aumentou. Com o aumento súbito do dólar ano passado, decidimos ir para o Nordeste e, quando surgiu a oportunidade de ir para Noronha ficamos muito animados e não pensamos duas vezes. A viagem foi uma delícia, rendeu fotos lindas, histórias divertidas e mostrou, mais uma vez, que somos uma ótima companhia um para o outro!

Para inaugurar a nossa sessão de posts sobre Lua de Mel, vamos falar de Noronha, um dos destinos mais votados na nossa pesquisa!

Na minha opinião, a lua de mel em Fernando de Noronha é mais indicada para os casais que gostam de programas ao ar livre, natureza, aventuras e que não estão muito cansados depois de todos os preparativos do casamento. O ritmo de caminhadas, trilhas e mergulhos é forte e vale muito a pena, mas se estiverem mais na vibe de deitar na areia e relaxar tomando um drink, sugiro pensar em outro lugar.

Antes de ir

Fernando de Noronha é dividida em duas costas: o mar de dentro, voltado para o Brasil, e o mar de fora, voltado para a África. As praias de águas mais claras ficam voltadas para o país e entre elas estão as praias mais bonitas da ilha: Sancho, Baía dos Porcos e Cacimba do Padre. É deste lado também que o sol se põe, dando um show que reúne todo mundo nas praias da Conceição e no Mirante do Boldró.

Apesar da famosa temporada de surf, em janeiro, a principal atração de Noronha é a vida marinha e, para quem quer mergulhar e prefere um mar tranquilo, a melhor época para visitar a ilha é em setembro e outubro, quando o mar está calmo e a visibilidade chega a 50 metros. Noronha é quente o ano todo e a temperatura média é de 28°C, mas é bom levar um casaquinho para se proteger do vento, principalmente à noite.

A melhor forma de chegar no arquipélago é de avião, os vôos diretos partem de Recife e Natal, levam cerca de uma hora e são operados pela Gol e pela Azul. O vôo ao redor da ilha é um espetáculo à parte, então sugiro reservar assentos na janela e, de preferência, na janela esquerda na ida e na janela direita na volta.

O número de moradores e de visitantes na ilha é controlado e os turistas pagam uma taxa ambiental diária, atualmente de R$64,25, que pode ser paga no aeroporto ou no site oficial, o que evita uma fila razoável no desembarque. Não esqueça de conferir se o seu hotel oferece o serviço de transfer do aeroporto, o que é bastante comum, mas, caso não tenha, é bem fácil pegar um táxi.

O Parque Nacional Marinho foi criado em 1988 e ocupa 2/3 da ilha principal e todas as ilhas secundárias, abrangendo a baía dos Golfinhos, do Sancho, do Sueste e a Praia do Atalaia. Desde 2012, é necessário adquirir um ingresso para o parque, que custa R$ 89 para brasileiros e vale por 10 dias corridos. O ingresso pode ser comprado com antecedência pela internet ou quando chegar na ilha, na praça Flamboyant, no Centro de Visitantes do ICMBio, no Posto de Informação e Controle (PIC) do Golfinho e no PIC do Sueste.

Circulação e Hospedagem

A ilha não é extensa, tem apenas 17km² e a menor BR do Brasil, com apenas 7km, mas não dá para circular só a pé. A melhor opção, na minha opinião, é alugar um bugue, que dá liberdade total de circulação na ilha. A diária custa entre R$ 150 e R$ 200 e a gasolina é a mais cara do Brasil, em torno de R$ 5,99 o litro. Outra opção boa é o aluguel de bicicletas elétricas, por R$ 25 das 8h às 18h, sendo que é possível alugar em um posto e devolver em outro. Além disso, há taxis-bugues que cobram de R$ 15 a R$ 40 reais pela corrida e os microônibus (R$ 3) que circulam pela BR-363 a cada meia hora e ligam o Porto de Santo Antônio ao Sueste.

A Vila dos Remédios é o centrinho da ilha, onde estão boa parte dos restaurantes e lojas, mas a Vila do Trinta e a Floresta Nova também são lugares bem localizados para se hospedar.

Noronha tem pousadas de alto luxo como a Pousada Maravilha e a Pousada Zé Maria, algumas pousadas com um padrão bom e muitas pousadas bem simples, além de acomodações familiares. O ideal é procurar bastante, ver fotos, ler comentários de quem já se hospedou e olhar direitinho qual opção atende às suas expectativas para não levar um susto quando chegar. O preço da hospedagem também varia bastante durante o ano, é bom ficar de olho em sites como Booking e Trip Advisor para conseguir um bom preço. Na Lua de Mel, demoramos a reservar as pousadas e tivemos que dividir a estadia em duas diferentes, porque a ilha estava cheia, então ficamos na Simpatia da Ilha e na Lenda das Águas. Da primeira vez que eu fui, fiquei na Pousada Monsieur Rocha, onde alugamos o bugue dessa última vez.

Comida e Bebida

Nas praias não tem muita estrutura de barracas, o que na minha opinião é um dos charmes da ilha, então é sempre bom levar água e alguns snacks para onde for. A limpeza das praias é impressionante, então muito cuidado para não deixar lixo por onde passar. Além de ser um atentado à natureza, a multa pode ser bem alta. Pensando nisso, a Econoronha reduziu em 50% o consumo de garrafas pet na ilha vendendo squeezes que podem ser abastecidos no Boldró, Sancho ou Sueste. No squeeze, 700ml de água custam R$3, metade do preço de uma garrafinha de 500ml. Uma boa opção também é levar camelback, que mantém a água gelada e deixa as mãos livres.

É importante ter em mente que as coisas em Noronha são mais caras, então não se assuste. Além de ser um lugar extremamente turístico, grande parte dos produtos vem do continente, o que inflaciona a conta. Para o tamanho da ilha, a variedade de restaurantes é grande, e o meu preferido é o Varanda, especializado em frutos do mar, que além de um ambiente gostoso tem uma comida maravilhosa e um cardápio enorme. A grande atração é o Festival Gastronômico do Zé Maria, aquele hotel que já comentei, que acontece às quartas e aos sábados. O festival oferece uma variedade enorme de pratos e sobremesas, que os convidados podem consumir à vontade, custa R$163,88 por pessoa e é necessário fazer reserva, porque fica sempre muito cheio. Também gostei bastante da pizza da Na Moita e do Empório São Miguel, mas a vista mais bonita de todos os restaurantes é a do Mergulhão, vale a pena ir de dia! A noite em Noronha fica por conta do Bar do Cachorro, super conhecido pelo forró animado que toca lá desde sempre.

Praias

Todas as praias de Noronha são incríveis e cada pessoa tem a sua preferida, mas algumas ninguém que passa por lá pode deixar de conhecer.

A Baía do Sancho já foi eleita duas vezes seguidas a praia mais bonita do mundo pelo Traveler’s Choice do Trip Advisor e vale cada passo da trilha de 1.100m e cada degrau da escadaria que dão acesso à praia. Não esqueçam o snorkel, água e um lanchinho, porque depois da descida, essa praia não tem estrutura nenhuma. Na volta, faça uma trilha rapidinha ao lado direito da escadaria para observar a Baía dos Porcos e o Morro Dois Irmãos. É de lá que se faz a foto mais famosa da Ilha.

A Baía dos Porcos é a minha preferida, sem dúvidas. O acesso também não é fácil, por uma caminhada na areia e uma pequena trilha nas pedras, vindo da praia da Cacimba do Padre, mas o esforço é recompensado pela pequena praia, com pedras que formam piscinas naturais transparentes. Um paredão alto e a vista privilegiada do Morro Dois Irmãos completam o visual de tirar o fôlego. Na minha opinião, é o melhor lugar para fazer snorkel, o visual mais bonito, a água mais clara e onde eu vi o maior número de animais marinhos diferentes.

Da primeira vez que eu fui, tinha um fotógrafo, o João Vianna, tirando fotos da Baía bem no dia que estávamos lá. Eu amo essas fotos, são maravilhosas e eu não poderia deixar de mostrar aqui, mesmo não sendo da Lua de Mel.

O Sueste tem acesso fácil, com estacionamento e infraestrutura, e é muito frequentada por tartarugas marinhas. É obrigatório o uso do colete, que pode ser alugado no PIC e muitos guias-mergulhadores ficam por lá oferecendo seus serviços e prometendo mostrar tartarugas e tubarões, o que realmente acontece. As águas são um pouco mais turvas, porque a praia está no mar de fora, mas tem uma vida marinha riquíssima!

A praia do Atalaia é um pouco mais restrita, tem permanência máxima de meia hora e lá não é permitido o uso de protetor solar. É praticamente um aquário, um dos principais berçários marinhos de Noronha e o acesso só é possível a pé. A trilha curta é gratuita (precisa apenas do ingresso do parque), deve ser agendada no posto do ICMBio (fica na entrada do Boldró, em frente ao Projeto Tamar) e conta com meia hora de caminhada até a Atalaia. A trilha longa passa por costões de pedras, só pode ser feita em grupos guiados e o passeio todo leva cerca de 5 horas.

Muita gente não dá bola para a praia do Porto por achar seu visual mais comum e, por isso, pensar que ela não tem nada de especial. Para a surpresa de todos, é uma praia excelente para mergulho, já que não muito longe da areia está uma embarcação naufragada que hoje é moradia de muitos peixes e outras espécies marítimas. Além disso, é nessa praia que é possível assistir a marcação e captura de tartarugas pelo Projeto Tamar.

O que fazer

Mergulho Batismo: Noronha é o melhor ponto de mergulho do Brasil, com águas extremamente transparentes, temperatura média de 27°C e uma visibilidade sempre boa que atinge seu ápice entre agosto e novembro. Os mergulhos ocorrem nas ilhas secundárias, onde há quatro pontos para batismo e duas embarcações naufragadas e incluem instrutor, traslado, roupas e equipamentos. Um cuidado importantíssimo a ser tomado é um intervalo mínimo de 24 horas entre o mergulho e o voo de volta, para evitar o risco de doença descompressiva. O preço é um pouco salgado, entre R$400 e R$500, mas a oportunidade é única!

Passeio de Barco: O passeio de barco sai às 8h do Porto de Santo Antônio e costeia o mar de dentro até a Ponta da Sapata, parando, na volta, para um mergulho livre na Baía do Sancho. O show fica por conta dos golfinhos que costumam acompanhar o barco de perto por tempo suficiente para tirar várias fotos e deixar todo mundo apaixonado por eles.

Aquasub: Pode ou não ser feito junto com o passeio de barco e a pessoa é “rebocada” pelo barco segurando uma prancha enquanto observa o fundo do mar. Como a visibilidade pode chegar a 50 metros, é possível ver bastante vida marinha no passeio. Acho que esse passeio é mais indicado para quem tem um pouco de medo de mergulhar sozinho muito longe da praia, porque é bem fácil chegar nadando em lugares mais fundos.

Mirante dos Golfinhos: Um paredão de 55m de altura é usado como mirante para observação dos golfinhos-rotadores e o melhor horário para vê-los é entre 6h30 e 7h30 da manhã, quando eles entram na baía. Os pesquisadores do Projeto Golfinho Rotador, que monitoram a chegada e saída dos animais diariamente, tiram dúvidas e emprestam binóculos aos visitantes. É possível chegar de carro, mas tem uma pequena caminhada entre o PIC Golfinho e o mirante.

Projeto Tamar: A visita ao Projeto Tamar é uma ótima opção para o início da noite, antes do jantar. Todos os dias a partir das 20h são ministradas palestras gratuitas sobre temas relacionados à ilha e em cada dia da semana um tema diferente é abordado. Apesar de parecer um programa chato, as palestras são muito interessantes, divertidas, e ficam bem cheias. A programação é fixa, mas sujeita a eventuais modificações, então vale a pena consultar a agenda e se programar para ir em algumas. Eu já fui na das tartarugas marinhas, dos golfinhos rotadores e dos tubarões, que é a mais concorrida e lotada de todas.

Museu dos Tubarões: Tem entrada gratuita e exibe arcadas dentárias e informações de diversas espécies comuns no arquipélago. Tem loja de souvenires e um restaurante famoso por servir bolinho de tubalhau, uma das marcas registradas de Noronha, feito com mandioca e carne de tubarão. O Museu tem esculturas ao ar livre, ótimas para tirar algumas fotos, e na enseada em frente pequenos tubarões podem ser vistos na maré-cheia.

Mirante do Boldró: É o lugar perfeito para terminar o dia em Noronha, com o pôr do sol mais bonito da ilha. Está localizado exatamente ao lado do mirante que fica o Forte São Pedro do Boldró, que hoje só tem ruínas. Não paga para entrar e é um programa BEM romântico para o fim de tarde.

Forte N. S. dos Remédios: Fica pertinho da Vila dos Remédios e também tem uma vista maravilhosa do pôr do sol. A subida é um pouco íngreme, mas o esforço vale muito a pena. O forte é bem rústico, sem muito cuidado, mas dá para ver a ilha de um ângulo diferente, que muita gente não se lembra de conhecer.

Outras dicas úteis

♥ A maioria dos lugares aceita cartão de crédito e débito, mas em alguns poucos o pagamento é apenas em dinheiro. É recomendável levar o dinheiro, já que na ilha é um pouco difícil de sacar. A única agência é do banco Santander, com caixa interligado à rede 24 Horas. Há três caixas eletrônicos do Bradesco (aeroporto, sede do Tamar e padaria Noronha), dois da Caixa Econômica Federal (Casa Lotérica e Supermercado Noronhão) e um do Banco do Brasil (Correios).

♥ Se tiver equipamento de mergulho (máscara, snorkel e pé de pato) não se esqueça de levar. É possível alugar na ilha, mas vai sair mais caro alugar todos os dias.

♥ O celular pega em quase todos os pontos da ilha, mas a internet 3G deixa bastante a desejar. O melhor é não depender dela, já que a grande maioria das pousadas disponibiliza internet Wi-Fi para os hóspedes.

♥ O fuso horário de Noronha é diferente, sendo que o horário na ilha é 1 hora a mais que o horário de Brasília. É bom prestar atenção nisso e acertar os relógios, principalmente para não perder a hora dos programas e do voo de volta.

♥ Se possível, leve uma GoPro, ou alguma câmera que possa ser usada debaixo d’água e nas praias. A ilha é linda demais e dá vontade de sair fotografando tudo o tempo inteiro.

4 comments / Add your comment below

    1. Ei Jéssica, acho que em torno de uma semana é o ideal. A primeira vez que eu fui, fiquei 8 dias e a segunda fiquei 5. Lembre-se que alguns programas, como o passeio de barco e o batismo, tomam grande parte do dia ;)

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